Peregrina De Paz
SUA VIDA E TRABALHO EM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS

CAPÍTULO 3

A Peregrinação

 

UM PEREGRINO ANDA EM BUSCA DE UM PROPÓSITO. Uma peregrinação pode ser levada a cabo para algum lugar - este é o tipo mais conhecido - mas também pode realizar-se por algo. A minha é em prol da paz, por isso sou uma Peregrina de Paz.

Minha peregrinação abarca o quadro total da paz: paz entre nações, paz entre grupos, paz dentro de nosso ambiente, paz entre indivíduos e a muito, muito importante paz interior -que é à que me refiro com maior freqüência, porque aí é onde começa a paz.

A situação no mundo ao nosso redor é simplesmente um reflexo da situação coletiva. Em última análise, só na medida que sejamos gente mais pacífica, nos encontraremos vivendo em um mundo mais pacífico.

Durante a Idade Média, os peregrinos saiam, como discípulos enviados que eram - sem dinheiro, sem alimento, sem roupa adequada - eu conheço esta tradição. Não tenho dinheiro e não aceito nenhum dinheiro em minha peregrinação. Não pertenço a nenhuma organização. Não há nenhuma organização por trás de mim. Eu possuo apenas o que visto e levo comigo. Não há nada que me restrinja. Sou tão livre como um pássaro que voa no céu.

Caminho até que me ofereçam teto, jejuo até que me dêem alimento. Não o peço - dão-me sem eu pedir. Que boas são as pessoas! Há uma chispa de bondade em todos, não importa quão profundamente oculta esteja. Lá está. Está esperando para governar nossa vida maravilhosamente. Eu a chamo natureza centrada em Deus ou a natureza divina. Jesus a chamou o Reino de Deus em nosso interior.

Pois bem, um peregrino caminha devotamente como uma oportunidade para entrar em contato com muita gente e talvez inspirá-las a fazer algo em favor da paz, à sua maneira. Por isso ando vestida com uma túnica curta com: PEREGRINA DE PAZ, na frente, e 25.000 Milhas a pé pela Paz, atrás. Isto faz meus contatos por mim da maneira mais amável... e eu gosto de ser amável.

Para nós é muito mais fácil falar com as pessoas quando elas se aproximam, do que quando temos que nos acercar delas. Aquelas pessoas que se sentem atraídas para mim, ou estão genuinamente interessadas em alguma faceta da paz, ou simplesmente têm uma viva curiosidade. Em ambos os casos trata-se de gente de grande valia. Tenho então a oportunidade de compartilhar com eles minha mensagem de paz que diz em uma frase:

Este é o caminho da paz - vence o mal
com o bem, a falsidade com a verdade
e o ódio com o amor.

A Regra de Ouro lograria o mesmo propósito. Não há nada novo a respeito, exceto colocá-la em prática. Mas eu a considero uma lição atual, portanto se tornou a mensagem de minha peregrinação de paz. Por favor, não digam levianamente que estes são apenas conceitos religiosos e não práticos. Estas são leis que governam a conduta humana, as quais se aplicam tão rigidamente como a lei da gravidade. Quando passamos por alto estas leis, em qualquer condição da vida, resulta o caos. Através da obediência a elas, este nosso mundo entrará em um período de paz e de riqueza de vida que vai além de nossos mais profundos sonhos.

A palavra chave de nossos tempos é prática. Nós temos toda a luz de que precisamos, temos apenas que pô-la em prática.

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Eu não caminho com a energia da juventude, trata-se de uma energia melhor. Caminho com a energia infinita da paz interior, a qual nunca se esgota! Quando nos tornamos um meio pelo qual Deus trabalha, já não há limitações, porque Ele faz o trabalho através de nós: somos meramente instrumentos - e o que Deus pode fazer é ilimitado. Quando trabalhamos para Ele, já não lutamos nem nos esforçamos. Ficamos calmos, serenos e sem pressa.

Minha peregrinação não é uma cruzada, que implica violência. Não se trata de forçar as pessoas a algo. Ela é uma aprazível viagem de oração e exemplo. Minha caminhada é antes de tudo uma oração pela paz. Quando entregamos nossa vida como uma oração, intensificamos a oração além de toda medida.

Ao empreender esta peregrinação, não penso em mim como um indivíduo, senão como a personificação do coração do mundo que está implorando pela paz. A humanidade, com passos titubeantes e temerosos, caminha no fio entre um caos impenetrável e um novo renascimento, enquanto grandes forças a empurram para o caos. No entanto, há esperança. Vejo a esperança no incansável trabalho de algumas poucas almas devotas. Vejo a esperança no real desejo de paz no coração da humanidade, ainda quando a família humana busque a paz tateando cegamente, sem saber o caminho.

Minha peregrinação é uma oportunidade para falar com meus semelhantes sobre o caminho da paz. É também uma penitência seja lá pelo que for que eu haja contribuído, por ação ou omissão para a trágica situação do mundo de hoje em dia. É uma oração para que este nosso mundo, cansado da guerra, encontre de alguma forma o caminho da paz antes que chegue um holocausto.

Minha missão é promover a paz ajudando os outros a encontrar a paz interior. Se eu pude encontrá-la, vocês também podem. A paz é uma idéia para a qual é chegado o momento.

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Comecei minha peregrinação em 1º de janeiro de 1953. É uma espécie de aniversário espiritual para mim. Foi um período em que me fundi com o todo. Já não era mais uma semente escondida sob a terra; senti-me como uma flor estendendo-me facilmente para o sol. Nesse dia me tornei uma peregrina que confiava na bondade dos demais. Seria uma peregrinação empreendida à maneira tradicional: a pé e com fé. Deixei para trás todas as pretensões de nome, história pessoal, posses e afiliações.

Seria uma jornada gloriosa.

O lugar de nascimento da peregrinação foi no desfile do Torneio das Rosas em Pasadena, Califórnia. Caminhei à frente da fila que marchava, falando com as pessoas e distribuindo mensagens de paz; observei que o espírito festivo não diminuía o genuíno interesse na paz. Quando havia percorrido pouco mais da metade do caminho, um policial colocou a mão no meu ombro e pensei que ia dizer-me para sair da fila do desfile. Em troca me disse: "O que necessitamos são milhares como você".

O que se passou no princípio na área de Los Angeles, foi quase milagroso. Todos os canais de comunicação estavam abertos a mim, para minha pequena mensagem de paz. Passei horas sendo entrevistada por repórteres de jornais, sendo fotografada pelos seus fotógrafos. A história da peregrinação e inclusive minha fotografia saíram em todos os serviços de comunicação. Além de fazer os programas de televisão ao vivo, passei horas gravando para os noticiários de rádio e televisão.

Os jornais de todas as partes, desde Los Angeles até San Diego, estavam interessados. Em San Diego fiz um programa de televisão e quatro de rádio. O chefe do Conselho de Igrejas de San Diego aprovou minha mensagem e minhas três petições que foram amplamente difundidas nas igrejas.

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Quando não estava no caminho, estava falando e reunindo assinaturas para as três petições de paz que levava comigo. A primeira era uma curta súplica pela paz imediata na Coréia. Dizia: "Que cesse a matança na Coréia! Depois, que se trate esta situação de conflito de acordo com os únicos princípios que podem resolvê-la - vencendo o mal com o bem, a falsidade com a verdade e o ódio com o amor".

A segunda petição se dirigia ao Presidente e aos líderes do Congresso, solicitando a instalação de um Departamento de Paz. Dizia: "Este é o caminho da paz: vence o mal com o bem, a falsidade com a verdade e o ódio com o amor. Pedimos que se estabeleça um Departamento de Paz, com um Secretário de Paz que aceite estes princípios - e que para todos os conflitos no interior e no estrangeiro recorram a este Departamento de Paz."

A terceira petição era uma súplica às Nações Unidas e aos líderes do mundo pelo desarmamento mundial e a reconstrução: "Se desejam encontrar o caminho da paz, é necessário vencer o mal com o bem, a falsidade com a verdade e o ódio com o amor. Pedimo-lhes que nos liberem da carga destruidora do armamento, liberem-nos do ódio e do temor, para que possamos alimentar os famintos, melhorar nossas cidades destruídas e experimentar uma riqueza de vida que só poderá acontecer num mundo que se encontre desarmado e alimentado".

Reuni as petições assinadas por indivíduos, grupos em prol da paz, igrejas e organizações ao longo de minha rota de peregrinação, guardando-as em uma pasta que levava para este fim. Apresentei-as a oficiais, tanto da Casa Branca como das Nações Unidas ao terminar minha primeira caminhada pelo país. Sou grata porque minha primeira petição, "Que cesse a matança na Coréia"... tenha sido ao menos parcialmente garantida antes de terminar meu primeiro ano.

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Em Tijuana, México, justo ao cruzar a fronteira em San Diego, fui recebida pelo prefeito e ele me deu uma mensagem para levar ao prefeito da Cidade de Nova York. Levei também uma mensagem dos índios da Califórnia aos índios do Arizona.

Ao passar por San Diego, naquele primeiro ano, tive a ocasião de falar em público. Um professor do segundo grau se aproximou de mim na rua e me perguntou se eu poderia dar uma palestra em sua classe. Disse-lhe com toda a franqueza, que como Peregrina de Paz nunca havia falado antes a um grupo. Assegurou-me que ia me sair bem e só me pedia para responder às perguntas dos estudantes. Aceitei. Se temos algo que vale a pena dizer, podemos dizê-lo. De outra maneira, para que quereríamos falar?

Não tenho nenhum problema para falar em grupo. Quando nos rendemos completamente à vontade de Deus, o caminho parece fácil e alegre. Só antes de nos termos rendido completamente, é que o caminho parece difícil. Quando falo, a energia flui através de mim, como a eletricidade flui através de um cabo.

No princípio, meus compromissos para dar conferências freqüentemente eram acertados no momento. Ao passar por uma escola, o diretor saiu e me disse: "Meus alunos a estão vendo pelas janelas. Se quiser vir falar com eles, poderia reuni-los no ginásio". E assim foi.

Certa vez, ao meio dia, um senhor de um dos clubes cívicos se aproximou e me disse: "Meu conferencista faltou. Você poderia dar-nos uma palestra durante nosso almoço?" Foi o que fiz em seguida.

Nessa mesma tarde um professor universitário de passagem para sua classe, me deteve e perguntou: "Poderia levá-la até meus alunos?" E falei ante este grupo.

Depois à noite, um sacerdote e sua esposa que iam a uma ceia em sua igreja, me detiveram e disseram: "Aceitaria vir cear conosco, e dirigir-nos algumas palavras?" E fui. Eles também me deram um lugar para passar a noite. Tudo isto se passou enquanto caminhava um dia sem nenhum compromisso prévio.

Agora ando muito ocupada falando em prol da paz nas universidades, cursos de segundo grau, nas igrejas, assim por diante - mas sempre estou felizmente ocupada. Meu lema de: Primeiro o primeiro, tem-me permitido atender meus compromissos para falar, manter minha correspondência em dia e também caminhar um pouco.

Uma vez, em Cincinati dei sete sermões em sete diferentes lugares de cultos religiosos em um dia. Nesse domingo em particular, deixei o dia livre para os pregadores locais!

Não permito coletas nas reuniões que realizo. Nunca aceito um centavo pelo trabalho que faço. Qualquer dinheiro que me mandam pelo correio é empregado para divulgar minhas publicações, as quais são enviadas sem despesa alguma a qualquer um que as solicite.

A verdade é uma pérola sem preço. Não se pode obter a verdade comprando-a - tudo o que se pode fazer é um esforço para alcançar a verdade espiritual e quando se está pronto, será dada gratuitamente. A verdade espiritual também não deveria ser vendida, para que o vendedor não se prejudique espiritualmente. Perde-se qualquer contato espiritual no momento em que se o comercializa. Aqueles que possuem a verdade não a estariam embrulhando e vendendo; donde se conclui que aquele que a vende, realmente não a possui.

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No início, pensei que peregrinar poderia acarretar algumas privações. Mas estava determinada a viver a nível de necessidade, isto é, não queria mais do que necessitava enquanto tantos tinham menos do que necessitavam. A penitência é a vontade de passar pelas adversidades para lograr um bom propósito. Estava disposta. Quando chegaram as adversidades, eu estava acima delas. Em lugar de penúrias, encontrei um maravilhoso sentimento de paz e alegria, a convicção de que estava seguindo a vontade de Deus. Bênçãos, em lugar de adversidades, foi o que encontrei.

Recordo que minha primeira lição de peregrinar foi a lição do receber. Estivera acostumada a dar por muitos anos e necessitava aprender a aceitar com tanta afabilidade como fora capaz de dar, afim de proporcionar ao companheiro a alegria e a bênção de dar. É tão lindo quando se vive para dar! Para mim é a única forma de viver, pois à medida que se dá se recebem bênçãos espirituais.

Tive provas muito severas no princípio de minha peregrinação. A vida é uma série de provas; depois de passarmos pelas nossas, retrospectivamente as veremos como boas experiências. Gostei de ter vivido estas experiências.

Se temos uma atitude positiva e carinhosa com os seres humanos, não os temeremos. O amor perfeito elimina todo medo.

Tive uma prova no meio da noite, no deserto da Califórnia. Acabara o trânsito e não havia nenhuma casa em muitas milhas na redondeza. Vi um carro estacionado ao lado da estrada. O motorista me chamou dizendo: "Venha, suba e aconchegue-se". Eu lhe disse: "Não viajo de carro". Ele contestou: "Não vou a lugar nenhum, só estou estacionado aqui". Subi. Vi o senhor. Era um homem enorme e robusto - o que se chama um tipo rude. Depois de falarmos um momento, me disse: "Olha, não gostaria de dormir um pouco?'' Respondi: "Oh! sim, claro que sim!" E acomodando-me, adormeci. Quando despertei, dei-me conta que ele estava perplexo por algum motivo; depois de conversarmos um pouco, admitiu que quando me pediu para entrar no carro, suas intenções não eram boas; e acrescentou: "Quando se acomodou tão confiantemente e adormeceu, simplesmente não pude tocá-la!"

Agradeci-lhe pela acolhida e segui meu caminho. Ao olhar para trás vi-o contemplando o céu e tive a esperança de que houvesse encontrado Deus nesta noite.

Ninguém caminha tão a salvo como quem caminha com humildade e inofensivamente, com grande amor e grande fé. Porque uma pessoa que consegue chegar à bondade dos demais (e há bondade em todos), não pode ser prejudicada. Isto funciona entre indivíduos, funciona entre grupos e poderia funcionar entre nações, se as nações tivessem a coragem de tentá-lo.

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Uma vez, um adolescente transtornado, com quem eu havia saído a caminhar, me agrediu. Ele queria ir em excursão, mas tinha receio de quebrar uma perna e ficar ali estirado. Todos tinham medo de ir com ele. Era um rapaz enorme, parecia um jogador de futebol, era conhecido por ser violento algumas vezes. Em uma ocasião bateu tão forte em sua mãe que esta teve que passar várias semanas no hospital. Todos o temiam; então me ofereci para ir com ele.

Quando subimos o primeiro morro, tudo ia bem. Logo porém, armou-se uma tempestade. Ele estava aterrorizado por causa da tormenta que se aproximava. De repente se descontrolou e vindo até mim, me bateu. Não corri, mesmo quando supus poder fazê-lo - ele levava um pesado volume às costas. Ainda quando estava golpeando-me, só pude sentir a mais profunda compaixão por ele. Que terrível estar tão enfermo psicologicamente, a ponto de agredir uma velha mulher indefesa! Neutralizei seu ódio com amor, enquanto me batia. Como resultado, parou a surra.

Ele exclamou: "Você não me devolveu os golpes! Mamãe sempre os devolve em mim." A reação retardada, devido a seu transtorno, havia alcançado a bondade nele. Oh! aí está - não importa quão profundamente oculta esteja - sentiu remorso e uma completa condenação de si mesmo.

Que são algumas contusões em meu corpo em comparação com a transformação de uma vida humana? Para encurtar a história, ele nunca mais voltou a ser violento. Hoje é uma pessoa útil neste mundo.

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Em outra ocasião fui chamada a defender uma frágil criança de oito anos contra um homem alto que estava a ponto de abatê-la. A criança estava aterrorizada. Foi minha prova mais difícil. Estava num rancho e a família havia ido ao povoado. A garotinha não quis ir com eles, então me perguntaram, considerando que estava ali, se poderia cuidar dela. Estava escrevendo uma carta perto da janela, quando vi que chegou um carro. Um senhor saiu dele. A menina quando o viu, correu e ele a seguiu, acuando-a até um gramado. Dirigi-me imediatamente para lá. A menina estava agachada e apavorada, enquanto ele ia até ela lenta e deliberadamente.

Já conhecemos a força do pensamento. Constantemente se cria através do pensamento. Atrai para si o que se teme. Assim, sabia que ela estava em perigo devido ao seu medo (eu não temo coisa alguma e só espero o bem - então o bem chega)!

Interpus-me imediatamente entre o homem e a criança. Simplesmente parei ali e olhei esta pobre pessoa, psicologicamente enferma, com amorosa compaixão. Aproximou-se. Deteve-se! Olhou-me por um bom tempo. Depois deu a volta e se foi; a menina estava a salvo. Não disse uma só palavra.

Bem, qual era a alternativa? Suponhamos que houvesse esquecido a lei do amor, devolvendo-lhe os golpes, confiando na lei da selva de: olho por olho e dente por dente. Sem dúvida teria sido vencida - talvez até morrido e a criança também! Nunca menosprezemos a força do amor de Deus - transforma! Alcança a chispa de bondade na outra pessoa e esta se desarma.

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Quando comecei minha peregrinação, caminhava com dois propósitos. Um era pôr-me em contato com as pessoas e continuo caminhando com esse propósito hoje em dia. O outro era caminhar como uma disciplina de oração, para manter-me concentrada em minha oração pela paz. Depois de alguns anos descobri algo. Descobri que já não necessitava disciplina para orar. Agora oro sem cessar. Minha oração pessoal é: Faça-me um instrumento por meio do qual só a verdade seja dita.

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Durante minha peregrinação através do Arizona, um policial vestido de civil prendeu-me, enquanto depositava cartas no correio local de Benson. Depois de uma curta viagem num carro de patrulha, registrou-me como vagabunda. Quando se caminha por fé, tecnicamente se é culpado de vadiagem. Sim, tenho sido presa algumas vezes por não ter dinheiro, mas sempre me liberam uma vez que entendem.

Há uma grande diferença entre uma prisão e um cárcere. Uma prisão é um lugar grande que mantém certo tipo de normas. Um cárcere é um pequeno lugar onde não se guarda muito nenhuma norma. E esta era um cárcere!

Puseram-me num grande quarto interno, rodeado por blocos de celas nas quais se encerravam as mulheres, quatro por cela, durante a noite. Ao entrar disse para mim mesma: "Peregrina de Paz, você tem dedicado sua vida ao serviço - eis aqui seu maravilhoso e novo campo de serviço!"

Quando entrei, uma das moças me disse: "Céus, que curiosa é você! pois foi a única que chegou aqui sorrindo! A maioria chega chorando ou maldizendo".

Falei-lhes: "Suponham que tivessem um dia livre em casa - não fariam algo que valesse a pena neste dia?'' Elas disseram: "Sim, é claro; e o que faremos então?" Foi assim que as fiz cantar canções que elevam o espírito. Dei-lhes um exercício simples que faz com que se sinta um formigamento em todas as partes. Logo falei com elas dos passos para a paz interior. Disse-lhes que viviam em uma comunidade e aquilo que poderia fazer-se em uma comunidade exterior também poderia ser feito em sua comunidade. Interessaram-se e fizeram-me muitas perguntas. Oh! foi um dia maravilhoso!

No final do dia trocaram as supervisoras. As moças não simpatizavam com a mulher que chegou. Disseram que era uma pessoa terrível e me sugeriram que nem sequer falasse com ela. Mas eu sei que há bondade em todos e em seguida falei com ela. Soube que esta senhora estava mantendo seus filhos com seu trabalho. Sabia que devia trabalhar, mas nem sempre se sentia bem, por isso estava às vezes mal humorada. Há uma razão para tudo.

Pedi à supervisora que imaginasse unicamente bondade nas reclusas. E pedi às moças que imaginassem unicamente bondade na assediada mulher.

Mais tarde eu disse a ela: "Dou-me conta que vocês têm a casa cheia aqui; posso dormir comodamente neste banco de madeira". Em seu lugar porém, fez que me trouxessem um catre com roupa de cama limpa, tive um banho quente com toalha limpa e todas as comodidades de casa.

Pela manhã me despedi de minhas amigas e fui escoltada por um delegado local até o juizado a umas poucas quadras dali. Não estava algemada e ele nem sequer ia-me sujeitando. Mas tinha uma pistola bem grande do lado; assim que a vi disse-lhe: "Se me pusesse a correr, dispararia?" "Oh! não!", disse sorrindo. "Nunca disparo em algo que posso pegar!"

No juizado esta manhã me declarei inocente e meu caso foi imediatamente encerrado. Junto a meus objetos pessoais que foram tomados durante a noite, havia uma carta que teve grande peso para minha libertação. Dizia: "A portadora desta se identificou como uma Peregrina de Paz, caminhando de costa a costa para dirigir a atenção de nossos cidadãos para seu desejo de paz no mundo. Não a conhecemos pessoalmente, já que só está de passagem por nosso Estado, mas levando em conta que sem dúvida alguma será uma longa e difícil viagem para ela, desejamos-lhe que a faça a salvo." Estava em papel oficial e assinada pelo governador do Estado, Howard Pyle.

Quando estavam me colocando em liberdade, um oficial do tribunal comentou: "Não pareces estar tão mal depois desse dia no cárcere". Respondi: "Podem encarcerar meu corpo, mas não meu espírito. Somente o corpo é que podem pôr atrás das grades da prisão. Nunca me senti prisioneira e você tampouco deve se sentir preso - a menos que se aprisione a si mesmo.''

Levaram-me ao lugar onde me haviam recolhido no dia anterior. Foi uma experiência linda.

Cada experiência é o que você faz dela e cumpre um propósito. Pode inspirar-nos, pode educar-nos, ou pode vir para dar-nos uma oportunidade de servir os demais de alguma forma.

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A maioria de minhas palestras são programadas agora com bastante antecedência; não obstante, surgem compromissos para falar da maneira mais inesperada. Em Minneapolis estava sendo entrevistada por um repórter numa reunião dos membros de um clube cívico que aguardavam um discurso do Governador de Minnesota. Como não lhe foi possível comparecer, convidaram-me para falar em seu lugar. Rapidamente aceitei.

E por falar em governadores - ao entrar um dia pelo portão da frente de um Palácio do Governo, um amável e amistoso cavalheiro cumprimentou-me com um aperto de mão e perguntou-me se podia ajudar-me. Disse-lhe que estava procurando o escritório do Governador; ele me levou rapidamente para lá. "Há algo mais que possa fazer para ajudá-la?", perguntou ele. "Pensei que poderia ter o privilégio de apertar a mão do Governador", respondi-lhe. "Pois já acabou de apertar a mão do Governador", disse o gentil cavalheiro - era o Governador em pessoa.

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Era o primeiro ano de minha peregrinação e me encontrava em algum lugar da estrada entre El Paso e Dallas, quando me recolheram por vadiagem. Nunca tinha ouvido que o FBI investigava gente por vadiagem, mas comigo estava acontecendo. Um senhor se deteve em um carro negro e me mostrou seu emblema. Nem sequer me ordenou que fosse com ele, simplesmente disse: "Viria comigo?'' Respondi: "Oh! sim, terei prazer em falar com o senhor". Entrei em seu carro, mas antes fiz um grande ''X'' na estrada, no lugar onde me recolheram. Durante a época em que eu estava contando as milhas, quando deixava a estrada, marcava um grande ''X'' para depois retomar a caminhada a partir dali.

Levou-me para a prisão e disse: "Registrem-na por vadiagem"; assim passei pela rotina. Primeiro tomam as impressões digitais. Eu estava fascinada, pois nunca tomaram as minhas antes - nem depois disto! Ele pegou uma substância química e, sem cerimônia, passou toda a tinta negra em meus dedos. Quando ainda me perguntava quanto demoraria aquilo, já havia acabado.

Falei com ele como falaria com qualquer um; aconteceu então algo interessante. Aparentemente ele estava acostumado a ser tratado de uma maneira muito pouco cooperativa. Quando o tratei como um ser humano, deu-me uma aula sobre impressões digitais e me mostrou os recordes. Foi muito interessante. Na verdade nunca aprendera tanto acerca de impressões digitais. As pessoas do lado de fora estavam esperando na fila, mas eu não soube até que saí do escritório e vi a enorme fila.

Depois fui levada para ser fotografada e me colocaram um colar no pescoço com um número. Quando estavam me fotografando de frente e de lado, recordei todas essas fotografias de pessoas procuradas que se vêem no jornal. Lembrei a expressão de enfado que tinham todos e disse para mim mesma: "Permita-me ser diferente". Sorri com tanta doçura como pude. Há um rosto sorridente em algum lugar da galeria dos malfeitores.

Em seguida levaram-me para ser interrogada. Sentaram-me em baixo de uma luz forte - supõe-se que causa um efeito psicológico na pessoa - mas, como antes já havia estado em televisão, disse para mim mesma: "Se pensam que esta é uma luz forte, deveriam ver as luzes de um estúdio de televisão!" Elas não só são brilhantes como também quentes.

Primeiro perguntaram-me se responderia a qualquer pergunta; disse-lhes: "Claro que responderei. Não porque vocês sejam oficiais que fazem cumprir as leis, senão porque são seres humanos e eu respondo às perguntas de todos os meus semelhantes. Não importa que estejam em missão oficial, são em primeiro lugar e principalmente seres humanos. Se pudermos concordar em conversar de ser humano para ser humano, podemos terminar muito mais rápido".

E assim terminou!

Começaram com a técnica da confusão. Um lançava uma pergunta. Antes que a pudesse responder, o outro lançava outra. Tinha que continuar dizendo: "Um momento, por favor, enquanto respondo a pergunta do outro cavalheiro''. Depois chegaram a perguntas significativas, tais como as que me fazem os estudantes universitários. Como me entusiasmei com o tema!

Logo se referiram à violência física como algo a se lastimar. Perguntaram: "Sob nenhuma circunstância você empregaria ou aprovaria o uso da violência física?" Respondi: "Não, porque é contrária às leis de Deus. Prefiro Deus do meu lado que qualquer outro poder da Terra". Contei-lhes a história do adolescente perturbado que me bateu durante nossa caminhada juntos.

Então disseram: "Imagine que fosse necessário defender um ente querido". Respondi: "Oh, não! Não creio que pudesse defender um ser querido desobedecendo à Lei Divina". Falei-lhes da menina de oito anos que deixaram sob meus cuidados e da experiência que tivemos com o senhor psicologicamente enfermo que queria causar-lhe dano.

Depois entraram em assuntos muito filosóficos e disseram: "Se tivesse que escolher entre matar ou que a matem, qual escolheria?" Respondi: "Não creio que necessitarei tomar tal decisão - não enquanto minha vida seguir em harmonia com a vontade de Deus. A menos, é claro, que fosse chamada a ser uma mártir. Bem, esse é um chamado muito elevado, muito raro. Não penso que seja o meu caso - mas o mundo aprende a crescer através de seus mártires. Se tivesse que eleger, escolheria que me matassem em lugar de matar".

Eles disseram: "Poderia dar uma explicação lógica para tal atitude?" Aqui estava eu tentando explicar a atitude da natureza centrada em nós mesmos e a atitude da natureza centrada em Deus, para que eles pudessem compreender. Asseverei-lhes que em meu marco de referência, eu não era o corpo. Que só estava vestindo o corpo. Sou aquilo que ativa o corpo - essa é a realidade. Se me matam, destrói-se apenas o traje de argila, o corpo. Porém se mato, firo a realidade, a alma!

Achacaram-me, dizendo que eu tinha bases religiosas para minha peregrinação. Mas suponhamos que eu houvesse dito: "Certamente vocês ouviram falar da defesa própria - bem, inclusive a lei a reconhece". Isto pode ser considerado legal - porém não religioso.

§

Houve uma ocasião em que senti que de fato estava combatendo os elementos. Refiro-me à minha experiência de caminhar através de um vendaval, que soprava com tal força que mal podia me manter de pé, e ao mesmo tempo a poeira era tão densa que não podia enxergar nada, guiando-me unicamente pela orla do caminho. Um policial parou junto a mim, abriu a porta do seu carro e gritou: "Venha aqui mulher, antes que morra!" Disse-lhe que estava fazendo uma peregrinação e que não aceitava viajar de carro (naquela época). Disse-lhe também que Deus era minha proteção e não havia nada a temer. Nesse momento o vento se desvaneceu, o pó se acalmou e o sol atravessou as nuvens. Segui caminhando. Mas o maravilhoso foi que me senti espiritualmente exaltada sobre a adversidade.

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Oculta em cada nova situação que enfrentamos, encontra-se uma lição espiritual para ser aprendida e uma bênção espiritual para nós, quando aprendemos esta lição. É bom ser provado. Crescemos e aprendemos através das provas que temos. Eu vejo todas minhas provas como boas experiências. Antes de ser provada, acreditava que poderia atuar de uma maneira amorosa ou sem medo. Depois de ser provada, eu sabia! Cada prova se torna uma experiência enaltecedora. Não importa que o resultado seja ou não de acordo com nossos desejos.

Recordo uma experiência uma vez quando publicaram no jornal local que eu daria uma palestra durante o ofício de uma igreja. Mostrava minha fotografia - de frente e de costas, vestindo a túnica rotulada. Uma pessoa que pertencia a esta igreja estava simplesmente horrorizada ao descobrir que esta criatura, que vestia uma túnica rotulada estava a ponto de falar em sua igreja. Falou disso com seu pastor e com seus amigos. Alguém me disse quem era ele. Senti muito que de alguma maneira houvesse ofendido uma pessoa que nem sequer conhecia. Assim, chamei-a!

"Fala Peregrina de Paz", disse. "Soube que está aborrecido comigo". Depois de tudo, disse-me que pensou que o havia chamado para interpelá-lo. Respondi-lhe: "Chamei-o para desculpar-me, porque evidentemente devo haver feito algo que o ofendeu, já que sem conhecer-me, está apreensivo por minha palestra em sua igreja. Por isso sinto que de alguma maneira lhe devo uma desculpa, e o chamei para isto".

Sabe que este homem estava em lágrimas antes que terminasse a conversa? Agora somos amigos - depois manteve correspondência comigo. Sim, a lei do amor funciona.

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Outro homem disse-me uma vez: "Surpreende-me o tipo de pessoa que você é. Depois de ler sua mensagem tão séria sobre o caminho da paz, esperava que fosse alguém muito solene; em troca a encontro esfuziante de alegria". Disse-lhe: "Quem poderia conhecer Deus e não estar em gozo?"

Se temos uma carga pesada e guardamos ressentimentos, se não estamos radiantes de alegria e cordialidade, se não transbordamos de amor e boa vontade para com todos os seres e todas as criaturas e toda a criação, uma coisa é certa: não conhecemos Deus!

Além do mais, a vida é como um espelho. Sorri para ela e ela te sorrirá. Eu unicamente mostro um grande sorriso nos lábios e todos me sorriem em troca.

Quando se ama as pessoas o suficiente, elas responderão amorosamente. Quando as ofendo, reprovo-me a mim mesma porque sei que se meu comportamento tivesse sido apropriado, não teriam se ofendido, mesmo quando não estivessem de acordo comigo. Antes que a língua fale, deve ter perdido o poder de ferir.

Deixe-me que lhes conte sobre uma ocasião em que meu amor teve que ser sem palavras. Estava tentando ajudar uma senhora que se encontrava tão seriamente enferma que já não podia dirigir seu carro. Queria ir à casa de sua irmã mais velha para passar umas semanas de repouso; assim me ofereci para levá-la. Naquela época eu tinha carteira de motorista. No caminho disse-me: "Paz, seria tão bom se pudesse ficar comigo por um tempo - minha irmã é muito dominadora. Tenho pavor de estar só com ela". Respondi-lhe: "Está bem, concordo; disponho mesmo de alguns dias. Ficarei com você por algum tempo".

Quando estávamos entrando no jardim de sua irmã, sussurrou-me: "Paz, a verdade é que não sei como minha irmã vai recebê-la".

Tinha toda razão. Quando sua irmã me viu com a túnica rotulada, ordenou-me que saísse da casa. Mas já era tarde e como ela mesma tinha tanto medo da escuridão, ponderou: "Fique só esta noite; pode dormir no sofá, mas à primeira hora da manhã você deve ir embora!".

Em seguida apressou a irmã a ir para a cama noutra ala em cima . Bem, foi pior do que pensei que seria. Não queria deixar minha amiga nesta situação, mas que podia fazer?... Olhei em volta procurando ver se teria algo que me permitisse comunicar com a irmã mais velha. Vi que na cozinha havia uma montanha de pratos sujos e não tinha lavadora de louça; imediatamente lavei todos. Depois limpei a cozinha e me deitei para dormir umas horas.

Pela manhã, a irmã estava chorando e me pediu que ficasse. Disse: "Espero que compreenda que estava tão cansada à noite que não sabia o que estava dizendo". Passamos maravilhosamente bem lá, até que tive que deixá-las. Como vêm simplesmente tive a oportunidade de pôr em prática minha pequena mensagem. A prática é boa, a prática faz o mestre, diz o ditado.

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Durante minha jornada, um taberneiro convidou-me para ir à sua taberna para dar-me algum alimento e enquanto comia, perguntou-me: "Como se sente num lugar como este?".

"Eu sei que todos os seres humanos são filhos de Deus", respondi. "Ainda quando não atuem dessa forma, tenho fé na sua potencialidade, e os amo pelo que poderiam ser"

Ao me levantar para ir-me, notei uma pessoa com sua bebida na mão, também de pé. Quando cruzou o olhar comigo, sorriu um pouco e eu sorri para ele. "Sorriu para mim", disse surpreendido. "Pensei que nem sequer falaria comigo e em troca sorriu-me". Sorri novamente. "Não estou aqui para julgar meus semelhantes", disse. "Estou aqui para amar e servir". De repente ajoelhou-se a meus pés e disse: "Todos os demais me julgam, assim defendo-me a mim mesmo. Você não me julgou, por isso, julgo-me a mim mesmo. Sou um pecador, não sirvo para nada! Tenho estado malbaratando meu dinheiro em bebida. Tenho maltratado minha família. Vou de mal a pior!" Coloquei minha mão em seu ombro. "Você é um filho de Deus", disse-lhe, "pode agir dessa maneira".

Olhou com desgosto a bebida em sua mão e lançou-a contra o bar, quebrando o copo. Seus olhos encontraram os meus. "Eu juro que nunca mais tocarei na bebida", exclamou. "Nunca!" E havia uma nova luz em seus olhos quando caminhou para a porta com passo firme.

Conheço o final feliz dessa história. Mais ou menos um ano e meio depois, soube por uma pessoa do povoado. Ela disse que até onde sabia, o senhor cumpriu sua promessa. Nunca voltou a tocar na bebida. Agora tem um bom trabalho, vive bem com sua família e se tornou membro de uma igreja.

Quando nos aproximamos dos demais com juízos, eles se colocam na defensiva. Quando, porém, somos capazes de acercar-nos deles com amabilidade, de uma maneira carinhosa, sem julgá-los, tenderão a julgar-se a si mesmos e a transformar-se.

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Durante minha peregrinação muitos carros se detinham e as pessoas se ofereciam para levar-me. Alguns pensavam que caminhava para pedir viagens gratúitas em automóvel. Disse-lhes que não se engana a Deus - não tem sentido trapacear na contagem das milhas numa peregrinação.

Recordo um dia quando ao caminhar pela estrada, um carro muito bonito parou e a pessoa dentro dele falou: "Que maravilhoso que é seguir seu chamado!" Respondi-lhe: "Realmente; penso que cada qual deveria fazer o que sente que é adequado fazer".

Então começou a dizer-me para o que se sentia motivado; tratava-se de algo bom que necessitava ser feito. Entusiasmei-me bastante com ele e estava certa de que o estava fazendo. Disse-lhe então: ''É maravilhoso! E como vai indo com isto?'' Respondeu-me: "Oh! não é o que estou fazendo. Não se paga nada por esse tipo de trabalho".

Nunca esquecerei quão desesperadamente infeliz era esse homem. Nesta época materialista, temos um critério muito equivocado para medir o êxito. Nós o medimos em termos de dólares, em termos de coisas materiais. Porém a felicidade e a paz interior não se inclinam nessa direção. Se o sabemos mas não o fazemos, de fato somos muito infelizes.

Tive outra experiência no caminho quando um belo automóvel se deteve, com um casal bem vestido dentro dele o qual começou a falar comigo. Expliquei-lhes o que estava fazendo. De repente, para meu assombro, o homem rompeu em lágrimas. Disse: "Eu não tenho feito nada pela paz e você fazendo tanto!"

Certa vez outra pessoa parou seu carro para falar comigo. Olhou-me, não asperamente, mas com surpresa e curiosidade, como se acabasse de vislumbrar um dinossauro vivo. "Neste dia e época", exclamou, "com todas as maravilhosas oportunidades que o mundo tem para oferecer, o que a fez sair em peregrinação pela paz"?

"Neste dia e época", respondi, "quando a humanidade cambaleia à beira de uma guerra nuclear de aniquilação, não é surpreendente que uma vida seja dedicada à causa da paz - o que surpreende é que muitas vidas não se dediquem ao mesmo".

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Ao terminar minha primeira caminhada pelo país, senti-me muito agradecida de não ter falhado e de fazer o que havia sido chamada a fazer. Disse para mim mesma: "Não é maravilhoso que Deus possa fazer algo através de mim?"

Depois dormi no terminal da Grande Estação Central ferroviária da cidade de Nova York. Quando cheguei ao estado entre dormindo e acordada, tive a impressão de que uma linda e indescritível voz estava dizendo umas palavras de alento: "És minha filha amada, de quem muito me comprazo". Já totalmente desperta, pareceu-me que uma orquestra celestial acabara de tocar na estação, com seus ecos ainda ressoando. Saí na fria manhã, mas me sentia aquecida. Caminhei pela calçada de cimento, mas parecia que estava caminhando pelas nuvens. O sentimento de viver em harmonia com o propósito divino nunca me abandonou.


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