Peregrina De Paz
SUA VIDA E TRABALHO EM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS

CAPÍTULO 10

As Crianças e o Caminho da Paz

CONHECI UM CASAL QUE DECIDIU educar seus quatro filhos no caminho da paz. Todas as noites durante o jantar, davam-lhes um costumeiro sermão sobre a paz. Mas uma noite ouvi o pai vociferar com o filho mais velho. Na noite seguinte ouvi o filho vociferar com o irmão menor no mesmo tom de voz. O que os pais diziam não causava impressão alguma - aquilo que faziam era o que os filhos seguiam.

Estabelecer idéias espirituais nos filhos é muito importante. Muita gente vive toda sua vida de acordo com os conceitos que lhes foram inculcados na infância. Quando as crianças aprendem que terão a maior atenção e afeto quando fazem algo construtivo, tenderão a deixar de fazer o destrutivo. O mais relevante de tudo é terem em mente que as crianças aprendem através do exemplo. Não importa o que se diga, é o que se faz que terá influência sobre eles.

Este é um desafio para os pais: Estão educando seus filhos no caminho do amor, que é o caminho do futuro?

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Incomoda-me ver uma criança pequena vendo o herói disparar contra o vilão na televisão. Ela está aprendendo a crer que disparar em pessoas é heróico. O herói acaba de fazer isto com resultado efetivo. Foi aceitável e o herói obteve uma reputação muito boa.

Se uma grande parte de nós encontrar paz interior a ponto de influir na instituição da televisão, a criança verá o herói transformar o vilão e trazê-lo a uma vida correta. Verá o herói fazer algo significativo para servir seus semelhantes. Então as crianças terão a idéia de que, se querem ser heróis, devem ajudar as pessoas.

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Um padre que conheço passou um tempo na Rússia. Não viu nenhuma criança russa brincando com pistolas. Visitou as grandes lojas de brinquedos de Moscou e descobriu que não havia armas ou outros brinquedos de destruição à venda. A educação pacífica é levada a cabo em algumas pequenas culturas dentro de nossa cultura maior. Inteirei-me de um casal que viveu uns dez ou doze anos entre os índios hopi. Eles me disseram: "Paz, é surpreendente - nunca ferem a ninguém".

Eu mesma caminhei entre o povo Amish. Têm comunidades bastante grandes. Comunidades tranqüilas, seguras, sem violência. Falei com eles e compreendi que é porque aprendem desde crianças, e a partir de então, que seria inconcebível prejudicar um ser humano. Por isso nunca o fazem. Isto pode ser logrado quando se é educado dessa maneira.

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Uma vez uma pessoa trouxe sua filha de quatro ou cinco anos e me disse: "Paz, explicarias à minha filha o que é bom e o que é mau?'' Disse para a menina: Mau, é o que fere alguém. Quando você come um alimento ruim, ele lhe causa dano, portanto, é mau". Ela entendeu. "É bom o que ajuda alguém. Quando você recolhe suas bonecas e as coloca em sua caixa de brinquedos, isso ajuda sua mãe, logo, isto é bom". Ela entendeu. Algumas vezes a explicação mais simples é a melhor.

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As crianças necessitam de um lugar apropriado para crescer, e os pais fariam bem escolhendo um lugar onde querem criá-los, antes de tê-los.

 

 

CAPÍTULO 11

Transformando Nossa Sociedade

UM IDIOMA MUNDIAL

PERGUNTAM-ME SE TENHO algumas idéias a respeito das soluções pacíficas para nosso mundo e para nossos problemas nacionais. Pessoalmente, penso que um progresso muito grande para a paz no mundo seria o estabelecimento de um idioma mundial.

No início me deparei com uma barreira de idioma no México, onde se fala espanhol; só pude falar com as pessoas através de minha mensagem traduzida e meu sorriso. Depois na Província de Quebec, no Canadá, encontrei-me novamente com essa barreira. O Canadá é um país bilingüe. As escolas em Quebec são orientadas em francês e muita gente lá não fala inglês. Tinha uma mensagem traduzida, assim me ofereceram alimento e teto através da linguagem dos sinais. Mas até aí terminava a comunicação. Compreendi mais uma vez a grande necessidade de um idioma mundial.

Penso que um comitê de especialistas designado pelas Nações Unidas deveria decidir logo que seja possível, qual idioma seria melhor. Uma vez decidido um idioma mundial, pode ser ensinado em todas as escolas junto com o idioma nacional, de maneira que rapidamente cada pessoa alfabetizada no mundo possa falar com outra pessoa de qualquer parte. Creio que este seria o passo maior e mais simples que poderíamos dar para o entendimento mundial e um grande progresso para a paz. Quando pudermos falar juntos, nós nos daremos conta de que nossas semelhanças são muito maiores do que nossas diferenças, por maiores que nossas diferenças pareçam ser.

SOBRE A DEMOCRACIA E A SOCIEDADE

Eu defino a democracia como o controle pelo povo. Aqueles que permitem que outros controlem sua vida, são escravos. À medida em que as pessoas triunfem ao resolver seus problemas justa e eficientemente desde as bases, mantêm o controle sobre suas vidas. Enquanto delegam a solução de seus problemas a uma autoridade maior, perdem-no.

Temos alguma democracia individual - por exemplo, o direito de uma minoria de pessoas para falar. Temos bastante democracia política. Estamos progredindo com respeito à democracia social. Se tivéssemos uma democracia social, cada ser humano seria avaliado de acordo com seus méritos, não de acordo com uns grupos. Temos legislado nessa direção; há um longo caminho a percorrer, mas estamos chegando lá.

Onde permanecemos atrasados é na democracia econômica. Neste aspecto não temos muito controle e isto me concerne. Lembrem-se: se queremos dar um bom exemplo ao mundo, devemos melhorar a nós mesmos. Vou lhes contar uma história triste:

Ao passar pela sala de alguém, vi que estavam debochando dos comediantes na televisão ante uma audiência ao vivo, quando um deles disse: "Recebi uma medalha de minha companhia". "Por quê?'' "Encontrei uma forma de fazer com que seu produto estrague mais rápido!" E todos na audiência puseram-se a rir.

Isso não é assunto para riso. A matéria prima é mal administrada; a energia está acabando. As gerações futuras nos verão como tontos por fabricar para a obsolescência. Sim, todos sabem o que estamos fazendo, porém se riem. Isto precisa ser remediado, obviamente.

Outra coisa que precisa ser remediada é o desemprego. Estou terrivelmente comovida por isso. Uns sete ou oito milhões de seres humanos neste país estão desempregados. E o que fazem essas pessoas? Degradam-se psicologicamente porque nossa sociedade lhes diz que não são necessárias, que não há lugar para elas. O desemprego é uma coisa terrível. Temos que remediar isto imediatamente.

Sugeriria que depois de algum tempo, todos os desempregados que tenham condições de trabalhar, possam solicitar trabalho comunitário, consolidado como fundo de assistência social. O trabalho nem sequer precisaria ser de tempo integral, mas eles estariam ganhando pelo que fizessem.

Não há ninguém psicologicamente são que não deseje estar significativamente ocupado em algo. Compreendo que haja algumas pessoas enfermas psiquicamente - sobretudo aqueles que estão desempregados há muito tempo e que se degradaram terrivelmente. Mas isto não se aplica à maioria. Na realidade, a maior parte das pessoas pularia feliz ante a oportunidade de poder fazer algo.

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Do ponto de vista espiritual, a melhor maneira de fazer frente a qualquer coisa que esteja em desarmonia, tal como o comunismo que se pratica agora, é não temê-lo - isso lhe dá força. Exerça boas influências para opor-lhe resistência; seja você um bom exemplo. Não tente vencê-lo adotando sua falsa filosofia. Por exemplo, parte da filosofia dos governos comunistas afirma que: O fim justifica os meios - na realidade esta é a filosofia de todos os países que usam a guerra como um meio. Ao contrário, adote a filosofia espiritual de que Os meios determinam o fim; e lembre-se: só um bom meio pode em verdade alcançar um bom fim.

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Unicamente através do exemplo é que podemos mudar. Se tivesse o poder de fazê-lo neste país, poderia dar um exemplo muito bom e agradável. Estabeleceria um Departamento de Paz em nosso Governo. Este teria uma empresa muito importante para levar a cabo. Investigaria as formas pacíficas de resolver conflitos, as medidas para prevenir a guerra e os ajustes econômicos para a paz. Seria fundado com festividade e pediríamos a cada uma das outras nações que estabelecessem departamentos similares que viriam e trabalhariam conosco pela paz. Creio que muitas nações estariam dispostas a fazê-lo. A comunicação entre os departamentos de Paz seria um passo para a paz em nosso mundo.

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Durante a guerra no Vietnã fiz a mesma pergunta às pessoas de todas as partes do mundo com as quais mantinha correspondência: "Que país seus cidadãos consideram que é a maior ameaça para a paz do mundo?" A resposta foi unânime. Não foi a Rússia, nem foi a China. Somos nós! os E.U.A.! Perguntei-lhes: ''Por quê ?'' A resposta variou um pouco. Os orientais disseram: "Porque vocês são a única nação que utilizou a bomba nuclear para matar gente, e não há evidência de que não poderão fazê-lo outra vez.'' Na América do Sul e na América latina a resposta foi: ''Hoje é o Vietnã - amanhã seremos nós". Na Europa e alguns outros lugares a resposta tendeu a ser: "Sua economia funciona mais uniformemente durante uma guerra ou um período de preparação de guerra'', ou: ''Em seu país ganha-se muito dinheiro com a guerra ou os preparativos para ela".

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Não me agrada informar isto, é algo negativo, mas acredito que necessitamos saber que os países do mundo nem sempre vêem nosso bom coração quando olham através do mar. Pelo contrário, estão apreensivos devido a nossas ações.

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Gostaria não só de ver-nos dar todos os passos que possamos em direção ao desarmamento e à paz mundial, como também de ver-nos dar ao mundo um exemplo cada vez melhor.

Durante os últimos dois anos, um grande número de amigos estrangeiros me têm dito: ''A Rússia assinou o Salt II; porque vocês não o fizeram também ? Vocês estão menos interessados no desarmamento que os Russos?" Não pude responder-lhes. Quem dera tivéssemos assinado. Teria sido um passo generoso, ainda que muito longe de ser suficiente, mas devemos assinar, depois trabalhar com tenacidade por Salt III e por todo acordo que pudermos lograr.

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Em minha peregrinação através do Canadá, convidaram-me a falar durante um Concerto do Coro Juvenil da União de Comunidades Espirituais de Cristo, comumente conhecida como ''Doukhobors'', um grupo pacifista que emigrou da Rússia no século passado. Disse-lhes: "Vocês têm uma mensagem especial para este mundo, especificamente para a Rússia. Já que muitos de vocês falam russo, porque não enviar uma missão de paz à Rússia? Este coro, por exemplo? Têm uma oportunidade única de falar com eles em seu próprio idioma, melhor que a delegação usual que freqüentemente não consegue comunicar-se com eles. Este tipo de intercâmbio é necessário durante a crise histórica atual".

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As Nações Unidas necessitam melhorar. Nós, no mundo, precisamos aprender a colocar o bem-estar da família humana em sua totalidade sobre o bem-estar de qualquer grupo. A fome e o sofrimento necessitam ser aliviados. Um amplo intercâmbio de gente entre as nações do mundo ajudaria muito.

Há alguns problemas nacionais em conexão com a paz - é necessário trabalhar pela paz entre os grupos. Nosso problema nacional número um, no entanto, é o ajuste de nossa economia a uma situação de tempo de paz.

AÇÃO COMUNITÁRIA DE PAZ

Neste período de crise, deveria haver um comitê comunitário de Paz em cada lugar. Um grupo como este pode começar com um punhado de gente interessada.

Tenho sugerido que as Associações Comunitárias de Paz comecem com um Grupo de Oração pela Paz em busca do caminho da paz. Na primeira reunião considerem a paz interior. Orem por ela e comentem-na. Se perceberem que alguma barreira interna está impedindo seu progresso espiritual, concentrem-se, entre as reuniões, em eliminá-la. Na segunda reunião considerem a harmonia entre os indivíduos. Se perceberem que estão em desarmonia com alguma pessoa, façam algo, entre as reuniões, para remediá-lo. Na terceira reunião, considerem a harmonia entre os grupos. Entre reuniões, tratem de fazer alguma coisa com o grupo para mostrar amizade ou ajudar a algum outro grupo. Na quarta reunião considerem a paz entre as nações. Procurem agir, entre reuniões, para elogiar alguém que tenha feito algo bom pela paz. Na reunião seguinte, comecem novamente pelo princípio.

Em alguns lugares meus escritos têm sido empregados por grupos de oração, já que se trata da paz desde um ponto de vista espiritual. Leiam um parágrafo, meditem a respeito em silêncio receptivo, depois falem sobre ele. Façam tantas reuniões de oração quantas necessitem para terminar a leitura. Quem pode entender e sentir as verdades espirituais aí contidas, está pronto espiritualmente para trabalhar pela paz.

Depois viria um Grupo de Estudo da Paz. Necessitamos ter uma imagem clara do que é a situação atual no mundo e o que é preciso para convertê-la numa situação mundial de paz. Todas as guerras atuais devem cessar, certamente. É óbvio que precisamos encontrar juntos uma forma de depor as armas. Temos que estabelecer os mecanismos para evitar a violência física num mundo onde a violência psicológica ainda existe.

Uma vez que os problemas do mundo e os passos para sua solução estejam bastante claros, você e seus amigos estarão prontos para formar um Grupo de Ação de Paz. Podem tornar-se gradualmente um Grupo de Ação de Paz, atuando sobre qualquer problema que tenham aprendido a compreender. A ação de paz constitui diversas formas de viver o caminho da paz. Pode tomar a forma de escrever cartas: aos legisladores, sobre a legislação da paz em que estejam interessados; aos editores, sobre temas relacionados com a paz; aos amigos, sobre o que aprenderam acerca da paz. Pode tomar a forma de reuniões públicas com oradores sobre temas relacionados com a paz, distribuir literatura sobre a paz, falar com o povo sobre a paz, uma semana da paz, uma feira da paz, uma caminhada pela paz, um desfile pela paz ou um carro alegórico de paz. Pode tomar a forma de votar por aqueles que estejam comprometidos com o caminho da paz.

Tem-se muito mais força quando se trabalha pelo que é correto, do que quando se trabalha por algo equivocado. Por isso, quando se estabelece o correto, o incorreto se desvanecerá espontaneamente. O trabalho pela paz desde as bases é de suma importância. Todos nós que trabalhamos pela paz pertencemos a uma comunidade especial de paz - seja trabalhando juntos ou separados.

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Alguns dos passos para a paz dos quais falei quando me pus a caminho, agora já foram dados ou pelo menos começaram. Um amplo contato entre pessoas está bem encaminhado com os intercâmbios estudantis e culturais.

A investigação sobre formas pacíficas de resolver conflitos é feita agora num grande número de nossas universidades; cursos são dados também por nosso vizinho, o Canadá.

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Acredito que é totalmente possível que obtenhamos a paz exterior na época atual. Historicamente falando, quando os seres humanos se defrontam com a eleição entre destruição e mudança, são propensos a eleger a mudança, e este é quase o único motivo que os fará eleger mudar. Assim temos a possibilidade hoje em dia de tomar uma direção acertada no mundo - a possibilidade existe!

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Gente pequena do mundo, não nos sintamos indefesos novamente. Lembremo-nos de que se suficientes de nós pedirmos juntos, até as coisas maiores como o desarmamento e a paz mundial serão concedidas. Peçamos juntos!


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